Tudo começou com um pôr do sol

Em Agualva, numa tarde de 2009, o sol pôs-se no mar e acendeu um sonho que ainda hoje nos guia.

Há lugares onde o fim do dia parece um começo. Em Agualva, na costa norte da Ilha Terceira, o sol despede-se devagar, pinta o céu de rosa e dourado e mergulha no Atlântico. Foi a olhar para um desses fins de tarde que a Sara Pires do Nascimento e o Sérgio Nascimento se perguntaram: e se cada criança do mundo rural pudesse ter as mesmas oportunidades que as crianças das cidades?

O Sérgio tinha chegado há pouco à ilha e reparava que havia muitas respostas para a infância e a juventude em Angra do Heroísmo e na Praia da Vitória, mas muito poucas nas freguesias rurais. Agualva, a terra da Sara, era uma delas. O casal esperava o primeiro filho e queria criar, ali mesmo, condições iguais para que ele e os amigos crescessem felizes.

Assim nasceu, a 26 de novembro de 2009, a Olhar Poente, associação de solidariedade social, sem finalidade lucrativa. O nome guarda esse momento: olhar o poente é olhar o horizonte com esperança, acreditar que o amanhã pode ser melhor e que cada pôr do sol traz a promessa de um novo dia.

Quatro crianças e uma grande vontade

Um mês depois, em janeiro de 2010, nasceu o Manuel — a primeira das muitas pessoas que nos inspiram. Para ele, a pediatra aconselhou uma creche pequena e muito atenta a cada criança. Dias depois, um anúncio no jornal falava de um concurso para a concessão de uma creche na Vila Nova. Concorreram, ganharam e, em 2010, abriram as portas com quatro crianças e duas pessoas contratadas.

Desde então, crescemos polo a polo — Fontinhas, Fonte do Bastardo, Biscoitos, Santa Cruz e, mais recentemente, São Bartolomeu — sempre com o mesmo princípio: as pessoas primeiro. Somos hoje uma das instituições que mais crianças e jovens acolhe nos Açores nas respostas sociais de Creche e CATL, com uma equipa de quase setenta pessoas e projetos que chegam a toda a comunidade.

O sonho continua

Continuamos a olhar o poente todos os dias. Nas brincadeiras da creche, nas aventuras dos Campos de Férias, nas casas reparadas pelo SOS Casa e em cada família que encontra em nós um porto seguro. Porque o importante são as pessoas — todas.

Última atualização: 6 de outubro de 2026

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